A aposentadoria por idade do contribuinte facultativo é o benefício destinado à pessoa que contribui para o INSS por iniciativa própria e cumpre os requisitos exigidos pela legislação previdenciária. Essa modalidade é bastante comum entre donas de casa, estudantes, desempregados e outras pessoas que não exercem atividade remunerada, mas desejam garantir proteção previdenciária.
No entanto, muitas dúvidas surgem ao longo desse caminho. Afinal, quantos anos é preciso contribuir, qual é a diferença entre os planos de contribuição e quanto o segurado poderá receber ao se aposentar? Além disso, erros no recolhimento podem gerar consequências importantes no momento de solicitar o benefício.
Por isso, neste artigo, você vai entender quem pode contribuir como facultativo, quais são as regras da aposentadoria por idade, como funciona a carência, quanto pagar ao INSS e de que forma o valor da aposentadoria é calculado.
Com essas informações, ficará mais fácil compreender seus direitos e tomar decisões mais seguras sobre o seu futuro previdenciário. Em muitos casos, um planejamento adequado pode ajudar a evitar prejuízos e identificar a estratégia mais vantajosa para alcançar a aposentadoria desejada.
O que é o contribuinte facultativo do INSS?
O contribuinte facultativo é a pessoa que não exerce atividade remunerada que gere filiação obrigatória ao INSS, mas decide contribuir por vontade própria para ter acesso aos benefícios da Previdência Social.
Ao realizar essas contribuições, o segurado passa a acumular tempo de contribuição e carência para benefícios previdenciários, incluindo a aposentadoria por idade. Além disso, também pode ter direito a benefícios como auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, pensão por morte para os dependentes e salário-maternidade, desde que cumpra os requisitos exigidos em cada caso.
Essa modalidade foi criada justamente para permitir que pessoas sem atividade profissional remunerada mantenham sua proteção previdenciária. Por isso, é muito utilizada por donas de casa, estudantes, desempregados e brasileiros que vivem no exterior, entre outros casos.
Quem pode contribuir como facultativo?
Em regra, pode contribuir como facultativo qualquer pessoa com 16 anos ou mais que não esteja obrigada a contribuir para o INSS em razão de atividade remunerada.
Entre os exemplos mais comuns, podemos citar:
- Donas e donos de casa;
- Estudantes;
- Desempregados;
- Síndicos não remunerados;
- Brasileiros residentes no exterior;
- Pessoas que deixaram de trabalhar temporariamente e desejam manter a qualidade de segurado.
Nessas situações, a contribuição facultativa permite que o segurado continue construindo seu histórico previdenciário e preserve a possibilidade de receber benefícios futuramente.
Quem não pode ser contribuinte facultativo?
Nem toda pessoa pode escolher contribuir como facultativa. Quem exerce atividade remunerada abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social deve contribuir na categoria correspondente, e não como facultativo.
Isso significa que não pode ser contribuinte facultativo quem trabalha como:
- Empregado com carteira assinada;
- Trabalhador doméstico;
- Trabalhador avulso;
- Contribuinte individual;
- Microempreendedor Individual (MEI);
- Segurado especial que exerce atividade rural enquadrada nessa condição.
Nesses casos, a filiação ao INSS ocorre de forma obrigatória. Portanto, eventuais contribuições realizadas como facultativo durante o exercício da atividade remunerada podem gerar problemas e até mesmo não serem aproveitadas para fins previdenciários.
Qual a diferença entre facultativo e contribuinte individual?
A principal diferença está na existência de atividade remunerada.
O contribuinte individual é a pessoa que trabalha por conta própria ou presta serviços sem vínculo empregatício. É o caso, por exemplo, de autônomos, profissionais liberais, motoristas de aplicativo, corretores, advogados e diversos outros trabalhadores que exercem atividade remunerada.
Já o contribuinte facultativo não possui atividade remunerada que o obrigue a contribuir para o INSS. Sua filiação à Previdência Social ocorre por escolha própria.
Na prática, quem trabalha e recebe remuneração deve contribuir como contribuinte individual. Por outro lado, quem não exerce atividade remunerada pode utilizar a categoria facultativa para manter a proteção previdenciária e buscar uma futura aposentadoria.
O contribuinte facultativo tem direito à aposentadoria por idade?
O contribuinte facultativo pode se aposentar por idade desde que cumpra os requisitos exigidos pelo INSS. Embora não exerça atividade remunerada que gere filiação obrigatória à Previdência Social, suas contribuições têm o mesmo valor para fins de aposentadoria quando realizadas corretamente.
Por esse motivo, muitas pessoas utilizam essa categoria para construir seu histórico previdenciário e garantir proteção para o futuro. No entanto, é importante conhecer as regras aplicáveis para evitar erros que possam atrasar ou até mesmo impedir a concessão do benefício.
Quais são os requisitos para se aposentar por idade do contribuinte facultativo?
Para ter direito à aposentadoria por idade, o contribuinte facultativo deve cumprir os seguintes requisitos:
- 62 anos de idade, se mulher, ou 65 anos de idade, se homem;
- 15 anos de tempo de contribuição;
- 180 meses de carência.
Importante: para os homens que se filiaram ao INSS pela primeira vez a partir de 13/11/2019, data de entrada em vigor da Reforma da Previdência, o tempo mínimo de contribuição passou a ser de 20 anos, mantendo-se a exigência de 180 meses de carência.
Além de atingir a idade mínima, é fundamental verificar se o tempo de contribuição e a carência foram efetivamente cumpridos. Por isso, antes de solicitar a aposentadoria, vale a pena conferir o histórico previdenciário no CNIS para identificar possíveis inconsistências ou períodos que exijam comprovação adicional.
Quanto o contribuinte facultativo precisa pagar ao INSS para se aposentar por idade?
Qualquer uma das modalidades de contribuição do segurado facultativo pode garantir o direito à aposentadoria por idade, desde que os demais requisitos do benefício sejam cumpridos.
Atualmente, o contribuinte facultativo pode contribuir com 5%, 11% ou 20%, conforme a categoria escolhida. A principal diferença entre esses planos não está no acesso à aposentadoria por idade, mas sim nas regras aplicáveis a cada modalidade e, principalmente, nos reflexos que a escolha pode gerar sobre o valor da futura aposentadoria.
Por isso, antes de definir quanto contribuir, é importante entender como funciona cada plano e quais são suas características.
Plano de 5% sobre o salário mínimo
O plano de 5% é destinado ao segurado facultativo de baixa renda, que atende aos requisitos específicos previstos na legislação previdenciária.
Nessa modalidade, a contribuição corresponde a 5% do salário mínimo vigente. As contribuições realizadas contam para a aposentadoria por idade e para diversos outros benefícios previdenciários, desde que os requisitos legais sejam preenchidos.
Por se tratar da opção com menor custo mensal, esse plano costuma ser utilizado por pessoas que desejam manter a proteção previdenciária gastando menos.
Plano de 11% sobre o salário mínimo
O plano simplificado permite ao contribuinte facultativo recolher 11% sobre o salário mínimo.
Assim como ocorre na modalidade de 5%, as contribuições realizadas nesse plano também contam para a aposentadoria por idade. Portanto, o segurado pode cumprir a carência e o tempo de contribuição exigidos para obter o benefício.
Essa costuma ser uma das modalidades mais utilizadas por segurados facultativos que desejam contribuir regularmente para o INSS sem assumir um custo mensal mais elevado.
Plano de 20% sobre o salário de contribuição
No plano de 20%, o contribuinte facultativo recolhe 20% sobre o salário de contribuição escolhido, respeitados os limites mínimo e máximo permitidos pelo INSS.
As contribuições realizadas nessa modalidade também podem ser utilizadas para a aposentadoria por idade, desde que o segurado cumpra os requisitos exigidos para a concessão do benefício.
A principal diferença é que o segurado pode contribuir sobre valores superiores ao salário mínimo. Por isso, essa modalidade costuma ser escolhida por quem pretende realizar um planejamento previdenciário mais completo e buscar uma aposentadoria potencialmente mais vantajosa no futuro.
Qual é o valor da aposentadoria por idade do contribuinte facultativo?
O valor da aposentadoria por idade do contribuinte facultativo depende principalmente de quanto foi contribuído ao longo da vida previdenciária. Por isso, duas pessoas que cumprem exatamente os mesmos requisitos de idade e carência podem receber benefícios bastante diferentes.
Atualmente, o INSS calcula a aposentadoria com base na média dos salários de contribuição do segurado. Assim, a modalidade escolhida (5%, 11% ou 20%) pode influenciar diretamente o valor do benefício.
Veja a seguir como funciona esse cálculo e quais são os reflexos de cada plano de contribuição.
Como o INSS calcula o benefício atualmente?
Para os segurados que se aposentam pelas regras atuais, o INSS calcula a média de 100% dos salários de contribuição desde julho de 1994 ou desde o início das contribuições, caso sejam posteriores a essa data.
Após encontrar essa média, o INSS aplica o coeficiente previsto na reforma da previdência:
- 60% da média salarial;
- Acréscimo de 2% para cada ano que exceder 15 anos de contribuição para as mulheres;
- Acréscimo de 2% para cada ano que exceder 20 anos de contribuição para os homens.
Dessa forma, quanto maiores forem os salários de contribuição e o tempo de contribuição do segurado, maior tende a ser o valor da aposentadoria.
Quem contribui com 5% recebe quanto?
O segurado que contribui pelo plano de 5% tem sua aposentadoria calculada pelas mesmas regras aplicáveis aos demais segurados. Ou seja, o INSS utilizará a média dos salários de contribuição e aplicará o coeficiente previsto na legislação.
No entanto, como as contribuições do facultativo de baixa renda são realizadas sobre o salário mínimo, a média salarial normalmente será formada apenas por contribuições nesse valor.
Assim, se todas as contribuições tiverem sido feitas sobre o salário mínimo, a aposentadoria será limitada ao valor do salário mínimo vigente na data da concessão do benefício, já que nenhum benefício previdenciário pode ser pago em valor inferior ao piso nacional.
Quem contribui com 11% recebe quanto?
A lógica é semelhante para quem utiliza o plano simplificado de 11%.
Embora a aposentadoria seja calculada com base na média dos salários de contribuição, os recolhimentos dessa modalidade também são feitos sobre o salário mínimo. Como consequência, a média salarial tende a permanecer nesse patamar.
Dessa forma, se todas as contribuições forem realizadas sobre o salário mínimo, a aposentadoria também corresponderá ao salário mínimo vigente quando o benefício for concedido.
Quem contribui com 20% recebe quanto?
Assim como ocorre nas demais modalidades, o benefício será calculado com base na média dos salários de contribuição e nas regras vigentes no momento da concessão.
A principal diferença é que o plano de 20% permite contribuir sobre valores superiores ao salário mínimo. Dessa forma, o segurado pode formar uma média salarial mais alta ao longo da vida contributiva, o que pode resultar em uma aposentadoria de valor maior.
Por exemplo, se todas as contribuições forem realizadas sobre o salário mínimo, a tendência é que a aposentadoria também corresponda ao salário mínimo vigente na data da concessão do benefício. Por outro lado, quem contribui durante anos sobre salários de contribuição mais elevados poderá alcançar uma média superior e, consequentemente, uma aposentadoria mais vantajosa.
Por esse motivo, a modalidade de 20% costuma ser a mais utilizada por segurados que desejam realizar um planejamento previdenciário e buscar um benefício acima do salário mínimo no futuro.
Conclusão
A aposentadoria por idade do contribuinte facultativo é uma alternativa importante para quem não exerce atividade remunerada, mas deseja manter a proteção previdenciária e garantir uma renda no futuro.
Como vimos ao longo deste artigo, o segurado facultativo pode contribuir em diferentes modalidades e, em todas elas, acumular tempo de contribuição e carência para a aposentadoria por idade. No entanto, a escolha do plano pode influenciar diretamente o valor do benefício, especialmente no caso de quem pretende receber mais do que o salário mínimo.
Além disso, é fundamental compreender as regras de idade mínima, tempo de contribuição, carência e cálculo da aposentadoria. Pequenos erros nas contribuições ou escolhas inadequadas ao longo dos anos podem gerar impactos significativos no momento do pedido.
Por isso, antes de definir a melhor estratégia para contribuir ao INSS, pode ser interessante realizar uma análise previdenciária individualizada. Dessa forma, você terá mais segurança para tomar decisões e poderá planejar sua aposentadoria de acordo com os seus objetivos e expectativas para o futuro.


